Introduzindo a História da Aviação – Parte 3

Por: Cmte. Pedro Canabarro
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A invenção

Falar de história da aviação é falar de história contemporânea, é falar de história recente, de história que ainda está sendo feita e debatida. Por isso, não podemos tratar como uma história fechada, definida e definitiva.

Otto Lilienthal, uma das primeiras pessoas a planar em um aparelho mais pesado que o ar

Certamente, muito ainda será descoberto em documentos e fontes que se encontram esquecidas em algum canto empoeirado ao redor do planeta. Por isso a importância de resgatar e preservar qualquer acervo relativo à aviação.

Sendo assim, a aviação – uma história em movimento – certamente provocará debates acalorados e as mais diversas teorias. Não é intenção aqui determinar ou excluir teorias, mas sim expor o pensamento e as mais diversas ideias de vários historiadores.

Dito isso, podemos falar do advento do avião sem provocar uma pequena guerra sobre o assunto.

Todas aquelas pesquisas, experiências e sucessos com balões no século XIX, de que falamos inicialmente, levariam ao desenvolvimento de diversos protótipos, teorias e conceitos que consequentemente frutificariam em tentativas de fazer voar algum tipo de aparelho mais pesado que o ar.

Otto Lilienthal

Um dos pioneiros foi Otto Lilienthal, que teorizou e publicou as primeiras considerações sobre a relação entre a força de sustentação e a curvatura da superfície da asa, em sua obra “O voo dos pássaros como base para voar”.

Além da teoria, Lilienthal construiu cerca de 16 planadores e foi o primeiro homem fotografado voando em um deles, em 1896.

Lilienthal registrou cerca de dois mil voos planados de 1891 até 1896, alguns com 350 metros de distância e mudança controlada de rumo. Estava muito próximo de realizar um voo motorizado quando morreu dos ferimentos ocasionados por um acidente com um de seus planadores em 1896.

Por tudo isso, muitos consideram Otto Lilienthal como autor do primeiro voo com um aparelho mais pesado que o ar e controlado. Outros, como o inventor do planador. Alguns, como o pai da aviação e inventor do avião, já que seu primeiro protótipo estava pronto para voar quando ele morreu.

Projeto de Clément Ader

Porém, as controvérsias já começariam em 1890, quando Clément Ader, com um protótipo com motor, alegou ter voado por 50 metros, a alguns centímetros acima do solo.

Não houve testemunhas do feito e, assim, o mesmo Ader convocou várias testemunhas e tentou novamente em 1897. Desta vez com um novo protótipo de dois motores. O aparelho voou por alguns metros, porém não convenceu grande parte das testemunhas, as quais afirmaram que o aparelho saiu do chão somente devido a rajadas de vento.

Enquanto isso, em 1896, do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, Samuel Langley construía aparelhos não tripulados com motores a vapor e se dedicava ao estudo da aviação desde 1890.

Samuel Langley

Langley era um acadêmico formado em astronomia e matemática. Professor universitário e secretário do Instituto Smithsoniano. Construiu diversos aparelhos chamados por ele de aerodromes, que eram lançados por catapulta, não tinham controle direcional e contavam com um motor a vapor.

Existem registros de que um de seus aparelhos teve êxito em voar por quase dois minutos e atingir 1200 metros de distância. Baseado nesse aparelho, Langley construiu um aparelho numa escala que permitiria levar duas pessoas.

O “Aerodrome” de Langley

Em 7 de outubro de 1903, acompanhado de um mecânico, lançou-se sobre o rio Potomac. A experiência acabou no fundo do rio, sendo considerada um tremendo fracasso. Com o voo dos Irmãos Wright alguns meses depois, Samuel Langley desistiria de sua incursão aérea.

Finalmente, a controvérsia que mais provoca acaloradas discussões e debates e que, por isso mesmo, merece um artigo mais profundo e específico: 23 de outubro de 1906 ou 17 de dezembro de 1903? Santos Dumont ou os Irmãos Wright?

Bons argumentos não faltam para cada teoria. E méritos para cada inventor também não faltam.

Obra do jornalista Salvador Nogueira sobre a invenção do avião

O que não devemos esquecer nunca é que nenhuma invenção ou avanço tecnológico é fruto de apenas uma só observação ou ideia. Que nenhuma história foi feita com apenas uma intenção. Que os contextos social, político e financeiro sempre vão influenciar na formação da sociedade e nas suas representações, como ocorreria nas companhias aéreas. Somente assim poderemos entender nossa história, nosso presente e para onde vamos no futuro.

Por fim, a controvérsia que não deve haver é sobre quem são as muitas pessoas que contribuíram com suas ideias, teorias e invenções para a invenção do avião. Todas elas merecem um lugar na história.

Assim, é através do desejo de alçar voo, de chegar aonde ninguém havia estado, de ultrapassar montanhas e oceanos, indo cada vez mais distante, que surgem as primeiras experiências comerciais com aviões, que mais tarde se transformariam nas companhias aéreas.


Em breve, a parte 4 – fique atento a nossas mídias.