HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NO BRASIL – PARTE 16

Por: Cmte. Pedro Canabarro
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OMTA

A Organização Mineira de Transportes Aéreos é mais uma empresa que surge no boom financeiro-aeronáutico do pós-guerra. Fruto de um empreendedorismo de oportunidade, como muitas outras, seria incorporada por uma empresa maior até desaparecer como outras tantas empresas aquela época.
Foi fundada no mês de janeiro de 1946 em Belo horizonte e, no mesmo ano, teve aprovada sua autorização de voo pela autoridade aeronáutica.

Pode-se dizer que foi a primeira empresa de táxi aéreo criada no Brasil. Iniciou seus serviços com quatro aeronaves de Havilland DH 89A e atingiu uma frota de 19 aeronaves Beech Bonanza até 1957. Atendia de Belo Horizonte ao sul de Minas Gerais, servindo de ligação e apoio regional para a Nacional. Passou pertencer ao grupo Nacional em agosto de 1950, sendo extinta em 1957.
A OMTA conseguiu a proeza de ter 20 acidentes em uma frota de 23 aviões. Talvez por isso ficou ironicamente conhecida no Sul de Minas Gerais como “Organização Mineira de Tombos Aéreos”.


VIABRAS

Douglas DC 3

Mais uma empresa que surgiria e desapareceria em um curto espaço de tempo.
A Viação Aérea Brasil surgiu do empreendedorismo de Antonio Murtinho em 1946. Obteve autorização de voo naquele mesmo ano e iniciou seus serviços aéreos ligando a cidade do Rio de Janeiro a Belo Horizonte, Uberlandia, Rio Verde e, posteriormente, chegando até o Mato Grosso, no final de 1949.

Acabaria também sendo absorvida pela Nacional e desapareceria totalmente em 1953. Contava com 4 aeronaves DC 3 que foram incorporadas a frota da Nacional.


VITA

A Viação Interestadual de Transportes Aéreos surgiu em novembro de 1946 com um capital expressivo para a época: 10 milhões de cruzeiros. Infelizmente, a documentação que se tem acesso para essa empresa não permite entender os objetivos dela perante o mercado.

O pouco que se pode deduzir é que a mesma tinha intenção de atuar como uma holding e adquirir empresas que surgiam aquela época. Seu idealizador, Juvenil Rocha Vaz, apesar de ter obtido autorização de voo, jamais iniciou nenhuma linha, ficando apenas na tentativa de aquisição de empresas – negócios esses que iniciou com o controle das Linhas aéreas Natal, em 1948. Ele, porém, desistiu da mesma no ano seguinte e encerrou as atividades da holding em julho de 1950.


Linhas Aéreas Natal

Mais uma que surge no rastro das oportunidades do pós-guerra. As Linhas Aéreas Natal foram idealizadas por um aviador da VASP e financiadas pelo industrial mineiro Theodorico de Assis. Iniciou suas operações já com quatro aeronaves DC-3 em julho de 1946, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro e, posteriormente, chegou até Campo Grande, no Mato Grosso.

A empresa mudaria de nome para Navegação Aérea Transamericana Limitada meses depois, mas, curiosamente, continuaria a ser chamada de Natal.

Em 1948 a empresa viria a ser controlada pela VITA para depois ser incorporada pelo consórcio REAL em 1950.


SAVAG

No final de 1946, surgiria em Rio Grande, no sul do estado do Rio Grande do Sul, a Sociedade Anônima Viação Aérea Gaúcha. Contava com o apoio financeiro e operacional da Cruzeiro do Sul e da Panair, como parte da estratégia de ambas para tentar barrar a expansão para o norte da VARIG.

Iniciou suas operações com três aeronaves Lodestar compradas junto a Panair, ligando Porto Alegre, Bagé, Pelotas e Rio Grande. Em 1949 recebeu emprestado um DC-3 Da Cruzeiro do Sul para operar linhas no norte do estado do Rio Grande do Sul. Tendo à frente o advogado Leivas Otero, muito próximo ao presidente Getúlio Vargas, conseguiu ampliar suas rotas no estado.

Em sua feroz disputa com a VARIG, a SAVAG crescia em tamanho e importância política. Porém, tal disputa não acabaria bem para a empresa. Quem levaria vantagem seria a VARIG, que conseguiria politicamente que o DAC cancelasse várias rotas da SAVAG, em 1952, sob alegação de “excessiva competição”.

Após esses cancelamentos a SAVAG, acabaria gradualmente sendo absorvida pela Cruzeiro do Sul e seria extinta em 1966.