HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NO BRASIL – PARTE 18

Por: Cmte. Pedro Canabarro
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Universal Transportes Aéreos

De Haviland Heron

Mais uma de tantas empresas que surgiram na década de 1940 como resultado da facilidade de se adquirir aeronaves e do empreendedorismo desmedido do pessoal ligado a empresas aéreas maiores. A Universal teria vida curta, de praticamente apenas 8 meses de operação.

Foi fundada em 1947, porém começaria a operar somente nos primeiros meses de 1948. Surgida da iniciativa de um ex-piloto da Aerovias Brasil, Ruy Bello, começaria a operar na rota Rio – São Lourenço – Lavras – Belo Horizonte, passando a atingir São Paulo alguns meses depois.

Sua frota era composta de dois Lockheed L-18 Lodestar e, mais tarde, de um Curtiss C-46 Commando.

Em setembro de 1948 um acidente de um de seus aviões iniciaria o processo de falência, que se concluiria em dezembro daquele ano.


Lóide Aéreo Nacional

Para entender a história do Lóide Aéreo Nacional, temos que voltar a 1928 e a Ruy Vacani, o fundador da Empresa de Transporte Aéreos (ETA). Vacani tentou se associar inicialmente à NYRBA , que posteriormente daria origem a Panair do Brasil. Depois, passo a se opor a essa companhia.

Com o fracasso total da ETA, Vacani desistiu por alguns anos de seu projeto aéreo, mas não enterrou seu sonho. Quase vinte anos depois, retoma seu projeto, associado a seu cunhado, Hugo Borghi, político, banqueiro e também piloto e entusiasta da aviação.

Contou com a participação acionária de outras figuras já conhecidas no cenário da aviação nacional, como Roberto Taves (um dos fundadores da Aerovias Brasil em 1942), Marcílio Gibson (que refundaria a TABA em 1975) e o coronel aviador expedicionário Nero Moura.

A companhia intencionava dar apoio à colonização do estado de Goiás, sendo fundada em Anápolis, no final de 1947. Transportava material de construção e trabalhadores para o interior do estado em três aviões Douglas C-47.

Em 1949, mudou seu nome para Lóide Aéreo Nacional e importou nove Douglas C-46, começando seus serviços regulares para Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Luís, Lapa, Carolina (MA) e Fortaleza.

Curtiss C-46

Em 1951, o Lóide incorporou as Linhas Aéreas Paulistas e o Transporte Aéreo Bandeirantes (TABA), empresas que já operavam junto, na forma de um consorcio. Com influência política no governo Vargas e crédito bancário facilitado por um de seus sócios, que era banqueiro, o Lóide cresceu rapidamente, atingindo uma frota de 19 aviões e voando praticamente para todos os estados brasileiros no final de 1956.

Passando a ser uma empresa de porte médio, o Lóide chamou a atenção das grandes do setor e, em 1956, a Panair propôs um acordo operacional que duraria dois anos, sendo cancelado em 1958 por razões comerciais e operacionais.

O Lóide Aéro Nacional chegaria a 1961 assumindo o controle da Navegação Aérea Brasileira (NAB), com 26 Douglas C-47/DC-3, oito Douglas DC-4 e quatro Douglas DC-6. Ligava o Norte e Nordeste ao Rio de Janeiro, fazendo ainda voos cargueiro para Miami, nos Estados Unidos.

Na mesma época, porém, enfrentaria uma guerra tarifária e somaria 12 acidentes. Em 1962, o coronel Marcilio Gibson venderia o Lóide para a VASP, controlada pelo Estado de São Paulo, pelo valor supostamente superestimado de 600 milhões de cruzeiros.

Tal negócio seria alvo de uma CPI, devido a vários pontos ainda hoje não esclarecidos. O coronel Gibson seria interpelado por tal CPI sobre a real saúde financeira da empresa e a influência de sua administração nos acidentes ocorridos.

Tais assuntos, porém, foram perdidos e enterrados na grande caixa preta da VASP e do Governo Ademar de Barros. Os 13 anos de vida do Lóide carecem de maiores investigações históricas, assim com a VASP.


Empresa de Transportes Aéreos Norte do Brasil (Aeronorte)

Junkers Ju 52

Fundada em São Luís do Maranhão no final de 1949, só começaria a operar um ano depois, em dezembro de 1950, com três Percival Prince, aeronave inglesa bimotora de asa alta. Fazia a ligação de São Luís com Belém, Recife, Salvador, Fortaleza e Carolina (MA).

Para auxiliar na operação, a Aeronorte alugou um velho Junkers Ju 52 da VASP. Em 1953, a Aerovias Brasil assumiu o controle da Aeronorte, que em seguida seria anexada pela Real em 1954.


Transportes Aéreos Salvador (TAS)

De Havilland Heron

Fundada em 1949 por um ex-piloto da Panair, faria voos não regulares até 1953, quando então passaria a empreender voos regulares com aeronaves de pequeno porte Beech Bonanza e .

Em 1956, acabaria sendo assumida pela Nacional e, depois, pela Sadia.