HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NO BRASIL – PARTE 26

Por: Cmte. Pedro Canabarro
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JETSUL

A empresa surgiu em 1993 em Curitiba como táxi aéreo, fundada por José Wilmar Rodrigues Cordeiro e sendo homologada algum tempo depois como empresa de voos de carga não regulares e charters. A Jetsul chegou a ter dois EMB 110 e um Fokker 27 que foram comprados juntos com a TAM, e utilizados para atender a rede postal noturna entre Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Campinas e Rio de Janeiro.

A empresa encerrou suas atividades como linhas aéreas em 2003, passando a executar fretamentos executivos e táxi-aéreo. Uma série de processos e dívidas contra a Jetsul Táxi Aéreo ocasionou a saída, pelo menos do nome, da Jetsul do cenário aeronáutico. A Jetsul se tornou posteriormente a RIO Linhas Aéreas, e seu proprietário também constou como sócio da Sterna Linhas Aéreas.

Pantanal Linhas Aéreas Sul-Mato-Grossenses S.A

No início dos anos 1990 embalada na abertura de mercado do setor aéreo, a Pantanal iniciou o processo de certificação para empresa de caráter regular. E mais uma vez, a ajuda da TAM e de Rolim Amaro foi fundamental. A Pantanal iniciou um acordo operacional com a TAM Meridional ligando Cuiabá, Dourados, Foz do Iguaçu, Ponta Porã, Presidente Prudente e Rondonópolis, em linhas que originalmente eram operadas pela própria TAM.

Esta operação visava fazer a ligação com os voos da TAM em Presidente Prudente e em Cuiabá, e beneficiava a TAM que retirava seus aviões destas rotas sem que sua alimentação fosse comprometida, e a Pantanal que conseguia operar como uma empresa regular enquanto esperava a certificação para tal fim.  

Sem dúvidas, essa parceria com a TAM fortaleceu e deu suporte financeiro para a Pantanal se tornar uma empresa de caráter regular. O Apoio da TAM e de Rolim havia sido novamente fundamental para que a empresa decolasse.
No entanto, ao virar empresa regional de transporte regular tinha seu preço. O acordo com a TAM teria que ser terminado e a Pantanal teria que adquirir aeronaves maiores e mais avançadas.  O escolhido foram os modernos Embraer EMB-120 Brasília, num total de três, sendo dois comprados e um arrendado. A Pantanal manteve ainda o EMB-110P1 que foi adquirido novo de fábrica como aeronave reserva, ou para fretamentos, devolvendo os outros Bandeirantes à TAM.

Assim, finalmente em abril de 1993, o primeiro voo regular da Pantanal decolou, ligando o aeroporto de Congonhas para Assis, Campo Grande e Corumbá, Mucuri, Caravelas e Porto Seguro. No ano seguinte as rotas foram  ampliadas e passaram a ligar Campinas a Curitiba e posteriormente a Campo Grande, Rio Verde, Goiânia e Brasília.

Os seis primeiros meses da Pantanal como empresa regular contabilizaram 26 mil passageiros transportados, com taxa de ocupação de 28%, ainda bem longe do objetivo planejado pelo seu presidente, que visava o faturamento por volta de  US$ 1,5 milhão ao mês e abocanhar 10% do mercado da aviação regional brasileira. Com 1994, chegaram os novos Aerospatiale ATR 42-300, a aeronave que renovou a frota e que por fim padronizou a Pantanal em 1998.

Com o ATR em operação, a empresa dobrou de tamanho e o crescimento sobre o exercício anterior aumentou substancialmente, fechando o ano de 1994 com 88.752 passageiros transportados e taxa de ocupação em 39%. Dessa forma, o aeroporto de Bacacheri em Curitiba ganhou ainda mais importância na malha da empresa, pois lá foi estabelecido o centro de manutenção da empresa. Voos sem escalas para Caxias do Sul, Rio de Janeiro e Campinas foram criados, e os destinos de Criciúma, Florianópolis e Paranaguá foram adicionados à crescente malha.

A companhia acabou tendo um crescimento mais rápido do que o esperado, e com isso o surgimento de problemas administrativos que levaram  à uma reformulação que transformou todo o grupo, afetando inclusive o número de funcionários que foi reduzido pela metade. Através deste processo de reestruturação, Ferreira desejava manter o ritmo frenético de crescimento, e atingir o número de passageiros transportados para 150.066 e 50% de aproveitamento e a incorporação de aeronaves maiores a jato. Porém, a busca pelo crescimento rápido começou a cobrar fatura em 1997.

Em um acidente icônico onde ficaram caracterizadas falhas operacionais e administrativas, uma aeronave Brasília se acidentou em Vilhena durante o pouso. Por muita sorte os 16 ocupantes saíram com apenas ferimentos leves.
A companhia começava a dar sinais de que a busca pelo crescimento havia sido em demasia, e tanto os setores administrativo e quanto o operacional não havia conseguido acompanhar os desejos de seu proprietário.

Deficiências no planejamento impactavam voos e rotas com constantes cancelamentos. Tão rapidamente quanto acrescentava cidades à sua malha, a Pantanal deixava de opera-los. O Crescimento da frota endividava a empresa além da capacidade de faturamento, levando a Pantanal ter de abrir mão de dois ATRs.

Além dos problemas de gestão a Pantanal sofreu um grande revés, ao receber no final de 1997, a proibição para voos regulares no Aeroporto de Bacacheri, sua base de manutenção e uma das principais de operação, através de determinação do DAC.

O ano de 1998 se resumiu em tentativas da Pantanal em se  reinventar através de uma drástica mudança em suas rotas. Além de incorporar mais quatro ATR 42 em sua frota, a empresa voltou seu foco a região sul e sudeste, focando no aeroporto de Congonhas. Diminuição de destinos e aumento do número de frequências para um número menor de cidades, e se aproximou novamente da sua velha amiga TAM,  voltando às suas origens e restabelecendo um acordo de alimentação e distribuição com a empresa de Rolim.

Já o novo milênio começou com a Pantanal com uma frota de apenas seis ATRs. O Acordo com a TAM não havia alcançado o resultado desejado obtendo resultados apenas medianos. Apesar de conseguir adicionar uma aeronave a sua frota, naquele ano de 2000, o número de cidades servidas havia sido drasticamente reduzido, resumindo-se a apenas nove cidades. Mas apesar das dificuldades, a Pantanal se mantinha no ar superando talvez o período mais turbulento da aviação comercial brasileira.

Com a morte de Rolim Amaro em 2001 e a troca de diretoria na TAM, a Pantanal não perdeu apenas seu mais precioso amigo, como também, o acordo operacional com a TAM.  Ainda que a empresa tenha terminado 2002 talvez em sua melhor forma, transportando 244.691 passageiros, quase 300 funcionários e oito ATR 42, a perda do acordo com a TAM abalou significativamente a empresa no ano seguinte.

Ferreira tentou iniciar mais uma aproximação com a TAM em 2005 para tentar amenizar a crise, porém conseguiu apenas um acordo operacional restrito que não solucionaria em nada o problema da Pantanal. Em 2007, a situação da companhia começou a se agravar ainda mais e por infortúnio, a Pantanal sofreu um incidente em Congonhas no mesmo dia de uma dos maiores acidentes aéreos do país, o voo 3054 da TAM, que provocou vários questionamentos sobre todo o setor aéreo brasileiro.

No incessante clamor da mídia para esclarecer os motivos de tal grave acidente, o incidente da Pantanal no mesmo dia virou foco de debate e consequentemente a ANAC voltou seus holofotes para a empresa regional. Assim a ANAC resolveu fazer uma auditoria completa na empresa, a qual apontaria diversas inconformidades que levaram a não renovação de sua concessão de linha aérea em 2008.

A empresa tentou se manter operando através de liminares na justiça, porém o imbróglio jurídico teve como consequência imediata o pedido de recuperação judicial já no ano seguinte. Tal manobra manteve a sobrevida da empresa até que fosse concluída a sua venda para a TAM por 13 milhões de reais, em um negócio voltado muito mais para impedir que os slots em Congonhas da Pantanal passassem para os concorrentes, do que para salvar a própria Pantanal.  

A TAM manteve os ATRs da Pantanal em operação em Guarulhos até 2011, deixando a operação dos slots em Congonhas para exploração da própria TAM que operava dois Airbus A319 e um A320 nas cores da Pantanal, até que então ocorresse em definitivo a incorporação e o encerramento da Pantanal em 2013.