HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NO BRASIL – PARTE 27

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Por: Cmte. Pedro Canabarro
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AIR VIAS S.A. Linhas Aéreas.

A AIR VIAS S.A. Linhas Aéreas surgiu no final de 1993, como uma iniciativa dos irmãos Carlos Eduardo e Paulo Marcucci de Carvalho que lançavam a empresa com a promessa de trazer um novo conceito para a aviação brasileira. A Airvias foi criada como a primeira empresa exclusivamente de voos de fretamentos no país.

Iniciou suas operações com duas aeronaves; um Boeing 727-200 servindo as operadoras de turismo para o nordeste brasileiro para atender ao mercado nacional, além de um Douglas DC-8-62 para os fretamentos internacionais que atendiam basicamente a Região do Caribe. Tendo em seu suporte as companhias operadoras de turismo a empresa conseguiu um relativo sucesso em seu primeiro ano tendo transportando 159.540 passageiros em seus charters. 

 Porém, no ano seguinte aconteceriam vários cancelamentos de voo devido à falta de condições satisfatória de voo de suas antigas aeronaves, principalmente no DC-8 usado nos voos internacionais. A condição da aeronave levou a empresa a repensar os charters internacionais e aposentar o DC-8.

A Airvias acabaria adicionando mais um B727-200 em sua frota no início de 1995, mas imagem da empresa já havia sido mortalmente abalada, devido a constantes cancelamentos e atrasos, e ao abandono e a falta de apoio a passageiros principalmente no exterior. Tais atitudes iriam levando as operadoras de turismo a deixar de utilizar a empresa.

A empresa ainda alugou um de seus B727 para a TABA, que o utilizaria em uma espécie de parceria para voos regulares nos finais de semana, mas a Air Vias acabou encerrando suas atividades definitivamente em novembro de 1995.


Skyjet Brasil

A Skyjet foi mais uma das tantas aventuras, ou desventuras, no mercado aeronáutico. Tinha sede na pequena nação caribenha de Antígua e Barbuda, apesar de ser uma empresa brasileira. Como sócios da empresa e gestores estavam Jose da Silva Duarte Filho e Ângelo José Mourão, que era operador logístico de fretamentos de cargas internacionais para uma empresa de logística belga chamada Skyjet, a qual locava espaços nos aviões da TNT/Sava e outras empresas.             

 A Skyjet Brasil iniciou com um McDonnell Douglas DC-10-30 fretado junto a sua homônima belga, que tinha convenientemente o mesmo nome e as mesmas cores da Skyjet no Brasil. Na presidência estava Ângelo José Mourão, e a intenção seria realizar voos charters internacional, sobre tudo para o Caribe.Teve seu único DC-10, matriculado PP-AJM em homenagem ao seu presidente. 

Voltada exclusivamente para voos charters de alta demanda, teve seu Douglas DC-10 configurado para incríveis 337 lugares, a configuração original era de 260 passageiros, porém constantes problemas operacionais que geraram atrasos e somado a constantes panes ocasionaram cancelamentos que deixavam frequentemente passageiros abandonados no exterior. A empresa tentou ainda substituir o seu problemático avião por aeronaves arrendadas de outras companhias, mas a imagem da empresa já havia sido afetada e as operadoras de turismos abandonaram a Skyjet a sua própria sorte.

O Presidente que havia começado tão entusiasmado pediu demissão e a Skyjet acabou devolvendo o DC -10 em dezembro de 1996, encerrando suas operações em 1997.


Brazilian Express Transportes Aéreos S/A –  BETA Cargo

A BETA surgiu através da fusão das empresas Brasair e a CMI, especializada em manutenção de aeronaves em 1994, ainda sob o controle do grupo BRAZILIAN EXPRESS HOLDING LTDA de propriedade de IOANNIS AMERSSONIS e MARLI PASQUALETTO AMERSSONIS. A BETA, cuja a denominação anterior perante a junta comercial era de  BRAS-AIR TRANSPORTES AEREOS LTDA, começaria  a operar na rota Guarulhos – Manaus, com um Boeing 707-321CF em 1996, recebendo sua segunda aeronave um ano depois.

Em 1998 a frota da empresa já contava com quatro Boeings 707 que voavam para Manaus, Porto Velho, Cruzeiro do Sul, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Guarulhos e Porto Alegre. Com a saída da VASP da Rede Postal Noturna em 2000, a Beta passou a atender estes voos do correios nas cidades de Recife – Salvador – Guarulhos e Porto Alegre.  A empresa chegou a ter em sua frota o Boeing 707 com maior número de horas de voos no mundo; o PT BSE com mais de 107.000 horas realizadas.

No entanto, a vida da empresa não ficou fácil a partir de 2003, quando a empresa se viu envolvida em denúncias de corrupção e processos judiciais. Acusada de fraude em licitações dos Correios, vender espaços nos voos do correio, formação de cartel, favorecimento de agente público e de pagar propina aos políticos e parlamentares com o propósito de ganhar licitações. A empresa foi, juntamente com a Promodal e a Skymaster Airlines, citada diversas vezes na CPI dos Correios e posteriormente no escândalo do mensalão.

 Segundo apurou a CPI dos Correios, o sócio majoritário do grupo GPT, Antonio Augusto Morato Leite Filho, que tinha um status de “sócio não oficial” da BETA Cargo, participou diretamente com a empresa e a Promodal, de propriedade de Morato, em possíveis fraudes nas licitações dos Correios. Tais fraudes poderiam atingir, numa estimativa baixa, em torno dos 82 milhões de Reais de prejuízo para a estatal. Também haveria denúncias de propina a parlamentares e desvios de dinheiro para partidos políticos a partir destas fraudes nas licitações.

 A BETA foi mais uma empresa aérea com passagem meteórica e icônica pelo setor aéreo nacional, fundada em 1994, iniciou suas atividades dois anos depois e teve a paralisação de seus voos em 2010 até ter sua autorização de funcionamento ser cassada em 2012.

O dono da Promodal e sócio como da BETA como apontou o MP e a CPI, ainda apareceu como o terceiro maior doador privado da campanha eleitoral de Lula em 2002.