HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NO BRASIL – PARTE 32

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Por: Cmte. Pedro Canabarro
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UNEX – Universal Express Linhas Aéreas Ltda 

Fundada em outubro de 1996 pelo Grupo Combraero que buscava se estabelecer no mercado de voos charters corporativos. A Unex Seria a primeira empresa brasileira especializada neste setor de fretamentos, usando em sua frota duas aeronaves ATR 42-300. A empresa seria autorizada ao funcionamento jurídico em 10 de outubro de 1996.

A empresa usaria as aeronaves Quick Change para também operar no mercado de carga otimizando o tempo disponível da aeronave. A empresa conseguiria um contrato com a americana Fedex, para transportar cargas entre as cidades de Campinas e Porto Alegre, desta forma amenizando o tempo parado da aeronave.

A Unex seria mais uma vítima da crise cambial de 1999 e posteriormente com a crise financeira que se estabeleceria no início dos anos 2000.  As aeronaves da Unex eram novas e consequentemente o valor do leasing era bastante alto, fato que levaria a empresa devolver as aeronaves para o proprietário, e procurar no mercado outras de leasing mais baixo. Ao mesmo tempo o mercado de voos corporativos havia praticamente desaparecido devido à crise econômica.

Os aviões substitutos nunca chegariam e a Unex encerraria suas atividades nos meses finais de 1999, após ter atendido mais de 200 clientes coorporativo e ter feito alguns voos de carga. Mais uma boa idéia que morria devido as instabilidades financeiras do país.


Transair International Linhas Aéreas 

Fundada em 1997 como companhia charter, iniciou suas operações com fretamentos para o Nordeste e Caribe com um único DC-10-15 Por apresentar constantes e repetitivos problemas de manutenção o DAC acabaria proibindo o avião da Transair de voar no território brasileiro. A Transair recolocaria então seu DC-10 na Tunísia onde seria usado para realizar os voos que levavam peregrinos muçulmanos para Meca, em um acordo operacional com a Tunisair.

A Transair tentaria voltar ao mercado nacional arrendando mais duas aeronaves, com as quais pretendia operar voos charter no país, porém as aeronaves não seriam entregues e a Transair encerraria suas operações definitivamente em julho de 2000.


Vica – Viação Charter Aérea LTDA 

Criada com o objetivo de atender um segmento não muito explorado pelo mercado, o charter corporativo, os nominados sócios da VICA, Sandra Eulina Pereira De Carvalho e Theotonio Lara Mello Filho, abririam a empresa em Guarulhos no ano de 1998.

A VICA arrendaria da TAM uma aeronave Fokker F.27 com o qual chegaria a realizar alguns voos, até que o avião fosse completamente abandonado no aeroporto de Guarulhos.

O mercado não reagiria bem à empresa, e esta ainda tentaria sobreviver anunciando a vinda de um Airbus A310 e de dois Boeing 727-200. Embora um dos 727 até tenha sido pintado nas cores da companhia, o mesmo nunca foi entregue.

Assim acabaria a curta história da VICA, em março de 1998, sendo mais uma aventura de mercado que acabaria em fracasso e ações judiciais.


Gensa – General Services Aviation 

A Gensa nasceria em São Paulo com GSA Globo Serviços & Aerotáxi Ltda em 1996, fazendo voos fretados para agências de viagens e voos corporativos, com um Embraer EMB-110P1 Bandeirante, tendo como sócio principal a Retomar Charmclubs Brasil Turismo Administração e Participações LTDA, de propriedade de Marcos Ferreira Sampaio, o dono e criador da Pantanal.

Com a mudança das operações da Pantanal para o Sudeste do país em maio de 1997, a Gensa se mudaria para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde assumiria toda a infraestrutura deixada pela Pantanal.  Com isso a GSA iniciaria um serviço de táxi aéreo com aeronaves de pequeno porte e helicópteros.

No ano seguinte a empresa passaria a fazer os voos da Pantanal em caráter sistemático para Dourados e Ponta Porã com o seu EMB-110P1 e mais um Embraer EMB-110 Bandeirante “emprestado” pela Pantanal.

Com o fracasso das rotas da Pantanal em Campo Grande a GSA devolveria o EMB 110 da Pantanal e migraria seu outro Bandeirante para Minas Gerais para atender um contrato com a FIAT em 1998.

Com o fim do contrato com a FIAT em 1999 a empresa decide pedir autorização para voos de passageiro e cargas não regulares, e alterar seu nome para GENSA, passando a ser empresa de transporte suplementar, habilitando-se a ser terceirizada para atender um contrato da Pantanal com a Petrobras para transporte de passageiros entre Manaus e Porto Urucu. O Contrato encerraria no final do ano de 2000.

A GENSA suspenderia suas operações no início de 2001 a título de fazer o check C em seu único Bandeirante, ficando parada até o início de 2003. Neste intervalo a empresa voltaria sua sede para São Paulo, e novamente retornaria sua sede para o Mato Grosso do Sul para então em 2003 reiniciar suas operações ligando Corumbá e Rondonópolis a partir de Campo Grande. Estes voos seriam ampliados para mais algumas cidades de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com a chegada de mais um Embraer EMB-110 P1 e planos para incorporar quatro EMB- 120 Brasília na frota. Porém com a retomada dos voos da Passaredo no Mato Grosso a GENSA mudaria seus planos e voltaria a ser uma empresa de voos charters e de carga não regular em 2005.

Em 2007 a Gensa ainda planejava seu retorno as linhas regulares e em voos charters com uma aeronave Embraer EMB-120 Brasília.

A Empresa diminuiria cada vez mais sua aérea de atuação operando apenas como taxia aéreo novamente até tentar em 2015 uma linha regular ligando Porto Alegre a Canela na serra gaúcha. A iniciativa era uma parceria do grupo gaúcho Air Sul com a Gensa para ligar a capital gaúcha ao polo de turismo na serra, com seis voos diários. O empreendimento duraria poucas semanas até as operações serem suspensas por problemas de manutenção na aeronave.

O outro Embraer EMB-110 da Gensa encontrava-se prestando serviços de fretamento entre Teresina e o litoral do Piauí até o final de 2017 quanto parou também por manutenção.

A empresa iria suspender totalmente suas operações no final de 2017 mesmo, por não ter mais nenhuma aeronave em condições de voo e nem condições financeiras para permanecer aberta.